Isto vai ficar-vos na cabeça não só hoje mas para sempre

Há um OVNI maravilhoso na música portuguesa. Chama-se Tocha Pestana. Viajar na nave espacial destes dois rapazes requer, acima de tudo, sentido de humor e uma sensibilidade que cruze “synth pop”, António Variações, Ranchos Folclóricos, punk e um bom arraial – e sim, eu já estive num arraial animado pelo Gonçalo Tocha e o Dídio Pestana. Aconselho: aqueles dois conseguiram animar uma quantidade jeitosa de pessoas que iam desde donas de casa até hipsters de óculos de massa e compactas barbas, passando por crianças como o meu filho Pedro, que dançou loucamente ao som deste duo. E se o nome Gonçalo Tocha vos é familiar, é porque, sim – o vocalista demente dos Tocha Pestana é a mesma pessoa que se tem consagrado em diversos festivais de cinema como um dos melhores autores nacionais de documentários (sim, é o mesmo artista que realizou o sublime É na Terra Não é na Lua), para além de ter dirigido videoclips para os Deolinda e de encarnar, nas horas vagas, a personagem do cantor hiper-romântico Gonçalo Gonçalves.

Em suma, é um tipo que não sabe estar quieto e ainda bem. Com o Dídio, formou então o duo electrónico-folclórico Tocha Pestana, cujo álbum de estreia – que dá pelo excelente e informativo título de Música Moderna – inclui uma das canções mais delirantes e infecciosas do momento, uma fusão alucinante que parece encontrar o elo perdido entre Technotronic e Dino Meira chamada Português Verdadeiro. De vez em quando o meu filho passeia pela casa repetindo “vem ter comigo junto ao mar”, e creio que isso poderá acontecer também com os vossos filhos – e também com vocês próprios.

Abracem o Verão e vão ter com eles junto ao mar. Vão ter com eles junto ao mar. Vão ter com eles junto ao mar.